23/11/2008

Sobre o que não se vê


A julgar pela aparência pode-se ter o pré-conceito de determinadas pessoas, de situações e de coisas infindas...
Pode-se achar que quem mostra felicidade é realmente feliz, e nós sabemos que nem sempre é assim. Que, muito embora, se esteja rindo e cantando, lá dentro e bem no fundo o que se quer e o que se sente é o contrário. Aliás, abrindo aqui um parêntese, não entendo o porquê de essas pessoas agirem dessa forma e serem tão dissimuladas a ponto de escamotear suas fraquezas, as dores, as perdas. Isso parece querer mostrar superioridade ou algo do tipo. Mas isso não quer dizer que por motivos pessoais se deve estar sempre com a cara amarrada no trabalho ou em outro lugar que também traga a necessidade de assumir uma identidade diferente.
Pode-se pensar, ainda, que quem é tímido, fechado e introvertido é besta, mas (não generalizando, longe de mim!) se vê por aí que os sonsos são os piores...na verdade isso está presente nesses ditados, provérbios que a sociedade teima em reproduzir, mas que não se trata de uma via de regra, porque como diz Lulu Santos: “...o que eu ganho e o que eu perco ninguém precisa saber”... e, além disso, quem come quieto come sempre!
Enfim...pode-se inferir muitas coisas (in)fundamentadas de pessoas que nada têm a ver com o que os outros pensam que elas são.
Durante muito tempo eu me preocupava com o que as pessoas iriam pensar de mim...até que um dia, depois de algumas injustiças cometidas, eu percebi que não se deve buscar alternativas verossímeis para fatos concretos (porque é injustiça!), que a verdade sempre vem à tona e que mais ou menos hora, o momento das pessoas terem a oportunidade de tirar as suas próprias conclusões sempre chega. Sim, eu disse sempre!
Essa enrolação toda é pra tecer algumas considerações, analogias feitas acerca de um estudo, uma leitura associativa que tenho feito do Canto V da obra “Os Lusíadas” de Camões. Ixi, maria! Eu sei que a partir dessa informação algumas pessoas vão se lembrar da tia Mariquinha ou do saco que é ler essa obra e abandonar a leitura desse post. Mas, pros que continuam lendo (e eu sei quem é meu público!), vou adiantando que se trata de um assunto bem pertinente e plausível.
Como eu dizia lá no início, às vezes as atitudes ou comentários (aquelas fofocas maldosas) acabam gerando conceitos errôneos sobre determinadas pessoas e isso aconteceu com o pobre Gigante Adamastor e é aqui que eu quero chegar.
Sabe, assim como ele há muitas pessoas por aí que vivem demonstrando ser quem não se é, vivendo de aparências e máscaras de uma peça de teatro cujo fim todos nós sabemos, porque as máscaras sempre caem. Sim, eu disse sempre de novo!. E...que maravilha (!) que elas caem.
Assim como na realidade atual, há muitos séculos atrás, houve um personagem mítico, feio, de dentes encardidos que aparentava ser frio, durão, machão e ser totalmente desprovido de sentimentos (principalmente aqueles mais nobres como o amor). Até que um dia, eis que ele resolve expor seu “mundinho secreto” em que habitava um sentimento tão puro e tão despretensioso de malícia (eu quis dizer apelo sexual) por uma ninfa, uma “belezinha”: a Thétis, que possivelmente não era perfeita, aliás, provavelmente, e que não poderia ser julgada merecedora de um sentimento tão nobre por tão pouco, por uma característica tão efêmera e pouco satisfatória.
Mas ai é quem vem a minha indagação: quantos gigantes de pedra habitam em mim e em você? Quantas pessoas vivem tristes, seja por amores não correspondidos ou por tantas outras sensações que fazem nos sentirmos tão ínfimos e insignificantes? Ou, quantos “navegadores” dotados de uma significativa coragem e audácia (bem como os portugueses foram) seriam suficientes pra adentrar esse monte de pedra, que para outros é conhecido como coração, de um monte de gente por aí que vive no limite?

Isso me fez pensar...

Mas uma coisa eu sei - e não é só porque eu ouvi a vovó dizendo: Por trás de um 'casca grossa' carrancudo existe alguém com um coração bem mole!
É tudo uma questão de proteção e cada um tem a sua.






11 comentários:

Cami disse...

Eu aredito que, na maioria das vezes nossa carapaça carrancuda é justamente para preservar nosso coração, nossos sentimentos puros e verdadeiros por sabermos quem são os seres humanos.
POdemos sim, encontrar pessoas maravilhosas na nossa vida mas, podemos encontrar muitas pessoas com milhões de máscaras. E uma dessas máscaras pode causar feridas profundas no nosso sentimento verdadeiro.
E se as máscaras existem para muitos, acredito ser porque nem elas sabem o que querem de si e para si, ou pode ser a mais pura INVEJA.

Teu texto é ótimo!
Beijão!

Arlequim disse...

Eu também acredito nisso de que "As mascaras sempre caem" (ahan, também disse Sempre..rs), afinal, por mais que a gente tente se esconder, usar um escudo, uma capsula protetora, o tempo sempre mostra quem é quem.
Viver de mentiras dói.
Beijos

Monique disse...

BUH! haushau ô eu aqui ;D
hahaha
guria, gostei pacas desse texto mas gostei mais ainda do robô. Adoro a música da Pitty: 'dessa vez eu já vesti minha armadura e mesmo que nada funcione eu estarei de PÉ DE QUEIXO ERGUIDO'
pois é, vc como sempre surpreendendo!
beijO

Monique disse...

BUH! haushau ô eu aqui ;D
hahaha
guria, gostei pacas desse texto mas gostei mais ainda do robô. Adoro a música da Pitty: 'dessa vez eu já vesti minha armadura e mesmo que nada funcione eu estarei de PÉ DE QUEIXO ERGUIDO'
pois é, vc como sempre surpreendendo!
beijO

Caique Gonçalves disse...

Desculpa pela demora querida. Valeu pela honra de meu humilde blog figurar por aqui, irei fazer o mesmo com o seu.
Abraço!

Fernanda Elisa disse...

Sim, as máscaras nos servem de proteção. Na verdade, todos nós temos medo de sermos "descobertos pelos portugueses", que é também um povo cheio de defeitos e virtudes. Questões de diferenças e semelhenças. O medo é uma palavra que me faz refletir a cerca de suas conseqüencias e que seu post acabou, não sei porquê, me fazendo navegar por esses mares.

Adorei. Estou sempre aqui.

Beijos, Flá!

;)

Bom final de semana

Flávia Lago disse...

Isso só poderia vir de uma letrada! rsrs
Obrigada pelas visitas e pelos comentários tão cheios de ternura, Fê!
beijo, beijo, beijO!

meus instantes e momentos disse...

belissimo post. Lindo blog, foi muito bom vir aqui. Vai virar mania com certeza.
Maurizio

Nathália disse...

A partir do momento que somos humanos, sempre tem algo dentro de nós que faz nosso coração derreter.

Beeijo!

Abel disse...

Olá!

Agradeço o presente! Mas meu blog tem outra proposta... rs

Gostei do seum reflexivo e crítico.

Realmente nos escondemos, tentamos ser o que não somos, seja pelos outros, seja por nossos ideais.
Imagino que este trecho de Camões demonstre o rompimento disso por meio de algo ainda mais poderoso: o desejo. Gênio da lâmpada caprichoso, afeito a ninfas e cia.

Abçs!
Abel

Mar de Trindade disse...

Meu Deus!!!!

Como este texto nos faz pensar e refletir...
Tenho vontade de postá-lo à todos os meus amigos mais especiais e pessoas que convivem comigo.
Nossa... Não me lembro mais Por quanto tempo tempo me escondo atrás de uma couraça revestida de pedra, com medo de ser atingido pelas setas de monstros vestidos de anjos, os quais nos rodeiam a todo instante...
Bjs no coração!

Carlos
carlocarlocarlos@hotmail.com