05/11/2008

"Arte ainda se mostra primeiro"


Senti vontade de escrever sobre algo, alguma das muitas coisas que se embolam em meus pensamentos e fazem meus dedos decorrerem sobre os teclados com uma velocidade intensa e proposital: tornar de minhas mãos o canal, o elo que liga meus conceitos, idéias e argumentos à vocês, amigos da Blogosfera.
Uma das “coisas” que caracteriza a arte como a maior diferenciação do homem aos outros seres, é a potente e vibrante racionalidade presente em nós “Homo Sapiens” e é justamente por isso, porque arte se trata de uma das maiores formas de expressão que nós podemos utilizar como artifício de ligação, aproximação entre outros interlocutores.
É a arte quem também pode expressar nossos sentimentos, desde aqueles que são de fácil percepção, aos mais profundos, presentes num labirinto abissal, longínquo de todos. Daí a importância das inferências e entrelinhas em alguns enunciados. Nem sempre o que se quer dizer é dito pelas palavras diretas, logo de maior possibilidade de entendimento e compreensão.
Eureca: Inferências!
Pressupostos!
Eis o tema da postagem!!!!!!

Entretanto, por mais que sejamos providos de racionalidade suficiente para expressar o que sentimos, nem sempre conseguimos, ou tentamos, tornar os sentimentos mais concretos e palpáveis – e eu não me refiro a poesia concreta, se é que me entendem...
Falo de frieza, falta de proximidade, o descaso que o homem pós-moderno tem para algumas coisas que, por serem ínfimas, corriqueiras e, por isso, banais, perdem sua importância no cotidiano de agendas lotadas e da busca incessante pelo lugar ao sol, que, por sua vez, retira as oportunidades de diversão ao sol. A vida passa, as pessoas passam pelas nossas vidas de forma rápida, líquida,e até mesmo pouco perceptível (porque a rotina cega os olhos), justamente pela falta de tempo pra essas coisas “pequenas” e que, na verdade, são as coisas que realmente importam!
Já não se diz mais “eu te amo”, já não se fala, não se vive mais o amor! Tudo fica subentendido, ali, nas palavras não proferidas, em acenos das janelas dos carros que correm num trânsito cada vez mais infernal, cada vez mais egoísta, em telefonemas rápidos e diplomáticos, em e-mails frios e objetivos.
Egoísmo ou falta de amor ao próximo?
Vergonha ou falta de tempo?

Seria utopia pensar que ao se dar amor, se recebe amor em troca?

"Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba. E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer" (O. Montenegro)

Chega de delírios causados pela solidão!
Amanhã escrevo novamente!

22/10/2008

"Efeito borboleta"



Atos impensáveis e atitudes infantis, carregadas de imbecilidade, levam algumas pessoas a cometerem erros que podem lhes fazer perder o bem maior que se pode ter: a amizade de alguém.
Por mais absurdo que se possa parecer, a ausência do perdão de quem amamos é o preço que pagamos (além do auto-desprezo), a cruz que carregamos e,como se não bastasse, as chagas que doem e latejam num ritmo vibrante e dolorido. Doem por termos que conviver e dormir com os erros, que não nos deixam e, tampouco, nos fazem esquecer o quanto foi lamentável e lastimoso agir de tal maneira. E justamente por incomodarem demais, acabam por nos tornar mais encorajados a não cometê-los novamente.

Para alguns, talvez esse percurso não seja uma Via Crucis, dotada de lamento e dor, uma vez que pouco lhes importa se feriram e machucaram outrem. Em contraponto, para outros aí é que está o remédio capaz de fazer esses mesmos erros se distanciarem de suas vidas, seguindo rumo ao infinito, juntamente com a reta do egoísmo.
Ser humano é estar fadado a imperfeição, é ser passível de acertos e erros. Não há como fugir disso. Há como remediar e como prevenir. Mas será que os procuram remédios são tão dignos de rancor?
Arrependimento é uma das palavras que mais se encaixa num futuro mais que perfeito. Arrepender-se de fato é deixar para trás aquilo que aconteceu, sem esquecer; procurando (des)fazer, (re)fazer todo o mal que foi causado a alguém.


É tentar merecer, sem certeza de alcançar, o perdão de quem se ama.

Ah, se o tempo voltasse atrás...

14/10/2008

Nando Reis- O poeta cantor


Dotado de uma pungente e caudalosa inspiração, inspirado por fortes sentimentos presentes em cenas corriqueiras, desde as relações humanas ao amor, cujas letras exprimem o mais puro lirismo- dignas de uma grande significação na arte poética. Ele, o poeta-músico-cantor-produtor, Nando Reis, ex-integrante da banda de rock Titãs desde 2002, tem emergido no cenário nacional em função de suas numerosas e prestigiosas canções.
São composições que tratam dos mais diversos assuntos, desde amor, onde exprime o amor não correspondido e sofrimentos causados por espaço e tempo; família, em que seus filhos fazem parte de uma quantia significativa das composições (com destaque para Espatódea, Sophia e O mundo é bão Sebastião); passando pelo futebol: ele é São Paulino doente e possuí uma coluna semanal no jornal O Estadão sobre o esporte, além de uma música gravada pela banda Skank (Uma partida de futebol); até assuntos polêmicos como, por exemplo, a sexualidade humana. Dentre elas, a mais polemizada é Monóico, que faz referência ao Hermafroditismo e Pansexualismo - tema muito recorrente na atualidade.
Por falar em polêmica, ele admitiu não usar mais drogas e nem álcool, a partir do processo de composição do Álbum “Sim e Não” em 2006. Isso porque, segundo ele, atrapalhava a concentração do processo criativo. Uma outra polêmica envolvendo o nome do cantor ocorreu com sua saída da banda Titãs, que aconteceu de forma não muito amigável, sendo um dos motivos a falta de espaço e tempo para o desenvolvimento de sua carreira solo.
Foi compondo para outros artistas de sucesso como Skank (Resposta), Marisa Monte (Diariamente), Cidade Negra (Aonde você mora?) e Jota Quest (Do seu lado) que o compositor Nando Reis se destacou no cenário musical, firmando seu nome no hall dos sublimes compositores da “nova MPB”. Além desses cantores, vale ressaltar a amizade e íntima ligação que ele possuía com a cantora, e também compositora, Cássia Eller, pra quem ele compôs a Música All Star (dentre outras em que fizeram parcerias) que possuí um trecho exaltando a afinidade entre os amigos, dizendo o seguinte: “O tom que eu canto a minha música para a tua voz parece exato”



O cantor já havia feito alguns álbuns solo, mesmo ainda fazendo parte dos titãs, mas foi somente em 2004 , com a gravação do CD “ MTV Ao Vivo” que a sua carreira solo foi realmente consolidada. Nesse trabalho, além de seus Hits eternizados, as músicas de maior destaque foram Mantra e Por Onde Andei que fizeram sucesso inclusive no meio radiofônico, em que sua banda Os Infernais também está presente. Aliás, banda que pra ele é como uma espécie de família: “uma banda que sobe no palco toda junta, todo mundo com a mesma importância, mesma função”. E, em função disso, faz sempre questão de acrescentar o nome “Os Infernais” aos Cd’s, por considerá-los de uma importância fundamental em sua carreira.
Seu último trabalho lançado em 2007 foi uma coletânea de suas principais canções em formato acústico e bem despojado: o “Lual MTV”, produzido pela MTV, dirigido por ele próprio e lançado pela gravadora Universal, a maior do país (e do mundo!), na qual ele possuí total liberdade. Nele há a participação de alguns cantores e amigos do ruivo, como Samuel Rosa, Andréas Kisser, Andréa Martins e Negra Li.
Uma das maiores críticas ao cantor, faz referência a sua voz e suas “desafinadas”. Ele as rebate dizendo: "Sei que sou um cantor de recursos limitados. Muitos acham minha voz anasalada. Mas não há botox ou plástica para resolver isso". Mas não é nada que tenha tanta importância e retire todo o prestígio merecido e conquistado aos poucos por ele, dono de um forte carisma musical, intelecto intangível, bem acompanhados de identidade musical ímpar e um lirismo poético e metafórico que varia da linguagem tensa à distensa sem perder o foco: cantar o amor a vida!

09/08/2008

Amor x Sexo

Amor e paixão em algumas vezes se confundem, seja pela intensidade e qualidade no sexo, ou seja, pelas loucuras que a paixão nos provoca: as emoções intensas, o desespero e apelo corporal que a acompanham. O que os difere mesmo é que no amor, o sexo fica em segundo plano, mas não que ele seja menos importante. Até porque, os que amam sabem muito bem o quanto é intensa uma noite de amor com seus amados.
Ainda que o sexo nem seja tão bom e "selvagem", uma relação com quem amamos é melhor, talvez porque ela transcede os limites do corpo- nessa relação forma e conteúdo são consonantes, como se fossem gêmeos siameses. E é pelo poder de comparação que é, sim, existente e latejante em nós, simples mortais, que nos damos contas dessas emoções e sensações tão díspares que sexo e tesão, paixão e amor nos provocam.
No amor o que mais importa é o bem estar do outro, ainda que esse outro esteja melhor sem a nossa presença! A proteção é uma das palavras chave, talvez a palavra que melhor o caracterize.
Ah, e sem contar na amizade, cumplicidade... no ombro amigo que vai estar sempre lá, sempre disposto a te proteger, ajudar, te ouvir...Ainda que você nem seja a mais perfeita, a mais linda, e tampouco, a mais inteligente, porque quem ama, no sentido verdadeiro da palavra, não liga muito pra essas coisas.
Amar é querer bem!

Post inspirado num texto de A. Jabor (cujo título não me vem na memória agora).



24/04/2008

Caso Isabella: repercursões infantis.


Nada no último mês foi tão comentado no país quanto o caso Isabella.
Tenho um irmão de oito anos, que ao assistir alguma notícia vinculada à morte dela nos telerjornais, veio me perguntar o seguinte: “Por que o pai dela fez isso, se os nossos pais nos amam tanto? Ela era malvada, fazia xixi na cama?”.
Pensando nisso, resolvi escrever acerca das coisinhas que omitimos das crianças:

Quando era pequena, e lembro muito bem, ouvia muitas estórinhas de final feliz, com todos se divertindo e um mundo mágico sem injustiças e maldades. Nesse mundinho em que me criei não havia espaço pra nada que fizesse mal, nada que machucasse e, em função disso, ao crescer e me deparar com a realidade (que foge dos finais de novela), confesso que fiquei muito decepcionada.
Pois bem, às vezes pensamos que as crianças não estão a par de toda a realidade ou, até mesmo, por querer livrá-las das dores do mundo, acabamos por escamotear algumas verdades. Verdades essas que, por mais que sejam duras de ouvir, não mudariam em grande parte a essência das crianças, eu acho.
Quando cresci e me tornei um ser pensante (“que duvida, que concebe, que afirma, que nega, que quer, que não quer, que imagina e que sente”), me deparei com finais infelizes, com falsidades, traições e desamor, me perguntava porque é que fui “poupada” de tudo isso. Mais: a pior de todas as descobertas foi perceber que o fato de duas pessoas se amarem não é motivo suficiente pra que elas fiquem e permaneçam juntas. Que a maioria das pessoas não se casa com o grande amor delas...

Tudo muito complicado!

Perguntas embaraçosas das crianças é normal. Por exemplo: porque eu não vejo o papai do céu e nem os anjos da guarda? De onde eu vim? O que é sexo? E o que é amor? Até aí tudo bem, mas o que respoder pro meu irmão?
Será que as crianças estão mesmo preparadas a lhe darem com a pós- modernidade (que vai muito além do meio técnico científico e informacional), seria injustiça contar a verdade e destruir o que elas têm de mais bonito que é a inocência? Ou será que é melhor deixar que elas, bem como eu, vivam no mundo da Alice, das fadas e Peter Pan, até que cresçam e a realidade prove o contrário?
De uma coisa eu sei: Nem as crianças vivem tanto assim “no mundo da lua” a ponto de serem tão ingênuas em acreditar na existência de uma terceira pessoa naquele apartamento onde Isabella morreu.

17/04/2008

Sobre a espera...




No passar dos dias, aqueles dias corridos em que não há tempo pra nada, ao chegar a noite, após nos desimpregnarmos daquele cansaço físico e até mental, vem a sensação de vazio, de falta (quem é soteiro -sozinho- sabe muito bem do que estou falando).
Falta de alguém pra ligar e contar como foi o dia, e pra ouvir contar como foram os seus.
Falta de conversar, sem necessariamente precisar impressionar com uma inteligência avançada, acerca dos mais variados assuntos: política, música, literatura, filosofia, religião ou coisas do passado, planos de um futuro...


Nesse momento sentimos falta de alguém:
Alguém que fale qualquer besteira e que saiba roubar boas gargalhadas.
Alguém que tenha o que ensinar, mas que não seja prepotente e humilde o suficiente em admitir que possa aprender outras com você.
Alguém que seja maduro o bastante pra não depositar o peso de sua felicidade em minhas costas, e, sim, saber que nós somos os reais responsáveis pela busca de nossa felicidade.
Alguém que não seja o Fábio Assunção, mas que, ainda assim, me faça pensar só nele e, dessa forma, me sentir satisfeita, sem quem haja a necessidade de olhar para os lados na rua.
Alguém que não queira me prender, nem me mudar e muito menos limitar minhas ações.
Alguém que complete o que sou. Que me faça sentir satisfeita e com 100% de rendimento (se bem que não existe 100% de rendimento).
Alguém com uma mão bem aconchegante pra segurar na minha em meio a multidão, que me puxasse pra si e não me deixasse tão solta.
Alguém que me beije com força e me tire a razão, sem me fazer sentir ameaçada ou coagida.
Alguém pra eu cuidar e pra me proteger também.
Alguém que não me assuste e, tampouco, me decepcione quando o tempo fizer a máscara cair e mostrar realmente quem é quem.
Alguém que, mesmo sem ser romântico, me toque com a força de suas palavras - palavras sinceras.
Alguém comum: imperfeito. Mas perfeito o suficiente pra mim diante de toda a sua imperfeição. E que tentasse me ver sem idealizações, sem pressupostos.

A verdade é que as pessoas não são livros de colorir e, por isso, não podemos preencher nelas as nossas cores.
(parafraseando um trecho do livro O caçador de pipas).

Será que esse alguém existe? Eu prefiro pensar que a mamãe tem razão: "Deus está reservando algo muito bom pra ti. Paciência, Flávia".

09/04/2008

Irreversível


Quando se pensa em felicidade, remete-se a algo futuro, como se faltasse alguma outra coisa (qualquer coisa!) ou conquista que são peças-chave, as quais irão completar o quebra-cabeça existente em nossas vidas. Acontece que ao se esperar que os sonhos se realizem, o tempo corre, voa e a vida passa por nós tão depressa quanto um foguete na velocidade da luz.
No fim das contas, lá estamos nós atrasados e querendo voltar no tempo pra tentar, sem êxito, reaver aquilo que tínhamos, aquilo que REALMENTE nos fazia feliz, e que por descuido, desvalorização, e (até mesmo) falta de tato, perdeu-se, sumiu e se afastou de nós, partindo pra bem longe, pra nunca mais voltar, talvez.
Arrependimento.
Idealização demasiada!
Enquanto se espera o dito príncipe encantado surgir do nada, aquela pessoa que nos quer tanto e tão bem está lá, quase gritando em nossa frente, esperando pequenas oportunidades pra poder exteriorizar o que sente e o que há de melhor pra nos oferecer. Mas ainda assim, a alienação é TAMANHA que mesmo que as oportunidades sejam bem grandes, nós não valorizamos os gestos e a atitudes da forma que deveríamos...A não ser depois. Tarde demais!
Descuido.
A verdade, e que todos sabemos – diga-se de passagem - é que somente valorizando o que temos, ainda que seja nos ínfimos detalhes (porque isso é felicidade!) é que podemos ser felizes no sentido verdadeiro da palavra. A perfeição é algo desumano e irreal, logo inalcançável. E, pior do que está pode, sim, ficar.

Portanto, seja simples: “...cuide bem do seu amor, seja quem for!”.



Post inspirado na música: Por onde andei (Nando Reis)

26/03/2008

Good Luck


Estavam ali, mas o que havia eram dois desconhecidos; como se os laços que um dia os uniu no passado estivessem sido desfeitos e como se o próprio passado tivesse sido alijado de suas mentes, de seus corpos... De repente, todo o arco-íris, que outrora refratava luzes, colorindo suas vidas em infindas multicores, desfez-se, tornando tudo cinza, morto, gélido e assustadoramente apagado...

Quando ao certo as coisas começam a mudar não se sabe. Contudo, é inevitável admitir que as sensações já não visitam mais os corpos; aquele frio na barriga agora é substituído pela frieza de
seus sentimentos. As mesmas mãos que se entrelaçaram, agora acenam pra despedida. As íris brilhantes perderam-se no espaço como estrelas cadentes, e o único pedido feito nessa hora é o da separação.
Há certas coisas que não podemos entender e que estão bem longe de serem de fato controladas pelas nossas vontades; com os sentimentos também não é diferente: ama-se pelo que se sente na presença, ou até mesmo na ausência do outro, pelas incertezas, pelas alegrias, pelo cheiro...
Assim como se ama indefinidamente, pode-se deixar de amar sem saber o real motivo. Ninguém neste mundo é responsável pela “duração” de determinados sentimentos, não se escolhe, por exemplo, quem e por que amar. Sendo assim, não nos cabe julgar, chorar e sofrer por termos sido vítimas dos desamores alheios. A trajetória cíclica da vida não cessa nunca e, em breve (caso tenhamos sorte), despertamos sentimentos nas pessoas, bem como nos apaixonamos novamente. É tudo uma questão de tempo. Tempo: o senhor da razão, divisor de águas, ratificador de tudo!
Após isso, o que resta é guardar as lembranças de momentos felizes como se fossem souvenir’s e torcer para que sejamos abençoados novamente pela dádiva do amor.

E que sejam felizes até o fim, sem saber que fim vai dar!